domingo, 9 de outubro de 2011

Um conto no qual conto para vocês


Podem confessar, só existe uma coisa mais chata do que a dor de cotovelo: a vítima desse sofrimento alheio. O pior de tudo é quando o sofredor do momento é você mesmo. O dono do cotovelo magoado não tem outra pauta, assunto, só sabe falar sobre a dor da perda. Tudo leva a pensar que aquele sofrimento é enorme, que não faz sentido, como uma vaca que cai do céu. Mas claro, faz parte da vida de todo mundo. Muitos artistas assumem que amar e perder o amor são os maiores fatores motivacionais de suas obras. Se Vinicius de Morais vivia sofrendo por isso, porque eu não posso? Mas que passe logo, rapaz!
Enfim, como de costume, lá fui eu sozinho afogar as mágoas no Arteplex (Botafogo) para tentar ser surpreendido. Antes de sair de casa, dei aquela conferida nas sinopses em cartaz. Logo vi um cartaz com a foto do Ricardo Darín. Pensei: "não teve um filme com ele que não tenha gostado". Fui feliz garantir essa aposta. Não que eu seja amante do cinema argentino, na verdade até agora só vi filmes do Juan José Campanella, e claro, com o Ricardo Darín. E acabaram sendo ótimas escolhas. Bons roteiros, boas tomadas, bons atores, no que acabou resultando numa conquista de uma estatueta do Oscar, em 2010, para "O Segredo dos seus olhos". Com quem? A boa parceria Campanella e Darín.
Mas vamos voltar à rotina cavaquiana: neste dia a sorte sorriu colgate - momento merchan - para mim, pois só havia uma vaga sobrando na última fileira da sala. Com a entrada na mão, satisfação na alma, e nenhum casal se pegando do meu lado, corri para o início da sessão. Só um obs: podiam cortar os 15 min de propaganda e 2 min de trailer, não acham? Sou o único que odeio pipoca animada?!
O filme: A surpresa aparece na primeira cena, Roberto (Darín) mostra o ar da graça como um rabugento, solitário e totalmente repetitivo. Dono de uma loja de ferragens, Roberto é tão chato que sempre conta quantos pregos vieram na caixa da fabricante para conferir se realmente vieram os 350 indicados. Baseado em fatos reais, a trama é uma comédia de costumes e valores, mostra a relação entre um argentino e um chinês perdido em Buenos Aires. O encontro deles e o destino começam a mudar por mero acaso. A vida automática de Roberto se quebra com o surgimento de Jun (Ignácio Huang). Com problemas de comunicação devido aos idiomas completamente distintos, os dois passam a conviver de forma estranha e nem sempre pacata, esperando o momento em que alguém salvará o chinês naquela terra de desconhecidos.
Ta certo, não vou dar detalhes do filme ou falar o final. Afinal, não me chamo Kodak - revelando filmes há mais de 100 anos (piada infame). A moral da história é que temos que nos abrir para as coisas inesperadas que acontecem nas nossas vidas. "Um conto Chinês" indico para todos que gostam de entretenimento e humor. Um filmaço argentino com um selo de garantia made in Taiwan. Vale demais conferir.
Venga!